Os desafios na gestão de empresas familiares

Desafios na gestão de empresas familiares.
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Sucessão no alto-comando da organização e introdução de inovações para aumentar a competitividade no mercado: essas questões são exemplos dos desafios da gestão em uma empresa familiar.

Essa estrutura apresenta suas peculiaridades, temas sensíveis em razão da forte conexão pessoal entre os indivíduos por trás da administração.

Assuntos cruciais esbarram em opiniões diferentes entre os parentes e precisam ser tratados com especial atenção para não comprometerem a boa condução do negócio.

Elencamos a seguir os principais conflitos das empresas familiares e sugerimos meios para solucioná-los. Siga conosco na leitura!

Por dentro dos desafios da gestão em uma empresa familiar

O elo entre os parentes é, por si só, o motivo de onde derivam os desentendimentos nessa estrutura corporativa. É difícil manter o relacionamento empresarial com profissionalismo, superando o clima passional da relação de família.

A intimidade pode inibir discordâncias, sufocar discussões proveitosas e necessárias para os rumos do negócio. Quando ocorre o contrário e se avança no trato de temas espinhosos, há o risco da personalização dos conflitos.

Existe um meio termo, um balizamento passível de intermediação por terceiro sem vínculo de parentesco. Pessoa ou consultoria especializada em RH sabem fazer essa ponte e utilizam de ferramentas importantes para dirimir os embates na empresa familiar.

Promover a sucessão

Seja pela falta de interesse dos sucessores ou pela dificuldade de dividir as atribuições entre eles, esse tópico é um dos mais desafiadores.

Ter pais, tios, irmãos e sobrinhos como colegas, subordinados ou gestores pode fazer com que a emoção substitua o pragmatismo e a assertividade no momento da tomada de decisões sobre a diretoria.

Segundo o Sebrae, 70% das empresas familiares não sobrevivem à segunda geração, evidenciando a problemática de passar a liderança para os herdeiros.

Além disso, pode haver sucessores não capacitados para assumirem um cargo de liderança com tamanhas responsabilidades. Isso enseja atenção especial ao seu preparo, ambientação às rotinas de trabalho e investimento em sua capacitação.

Os problemas advindos da questão sucessória podem ser superados com a elaboração de um plano de sucessão. Ele mapeia os cargos-chave do empreendimento, elencando as responsabilidades inerentes a cada um deles.

Assim é traçado um perfil do profissional desejado, quais atribuições ele deve ter para satisfazer a demanda daquele posto de trabalho específico.

Isso facilita na identificação dos familiares com o perfil mais adequado a cada vaga estratégica. O plano de sucessão elaborado orienta no aprimoramento de cada parente, deixando preestabelecido o rumo do processo sucessório.

Investir em inovação

Tradicionalismo é bom: estar no mercado há anos denota a boa qualidade dos produtos desenvolvidos ou dos serviços prestados, sendo sinal de reconhecimento pelo cliente. O problema é quando ele vira conservadorismo.

Pense como as rotinas de trabalho e os hábitos de consumo vêm mudando com o passar dos anos. Tecnologicamente falando, estamos na 4ª revolução industrial, marcada pela nanotecnologia, robotização de processos, big data e internet das coisas.

Gerações mais antigas têm dificuldade, até mesmo resistência, de se adaptarem às novas tecnologias. Elas creditam segurança a práticas e processos antigos, acostumadas com os hábitos de uma gestão mais simples, e desconfiam das inovações.

Imagine seu avô, precursor da empresa familiar, que fez à mão e guardou em arquivo físico a ficha de cada cliente durante décadas. Como convencê-lo de aderir a um sistema de armazenamento em nuvem?

Não imponha mudanças aos mais velhos, mas firme um diálogo explicativo, elucidando a necessidade de se aderir às novas tecnologias. Explique como elas funcionam e a otimização que podem trazer — a robotização de processos, por exemplo, pode gerar ROI de até 800%.

Outra medida é contratar empreendimentos especializados, como as de T.I. e segurança, para a implantação tecnológica. Elas transmitem credibilidade aos parentes mais receosos, atuando com perícia e vasto conhecimento de mercado.

Inverter a hierarquia

É comum a gestão reproduzir na empresa certa ordem típica da relação familiar, na qual a idade e a experiência são, em muitos casos, os principais fatores de definição da “linha de comando”.

No ambiente corporativo, tal hierarquia perde o sentido porque competência não tem a ver com idade, mas com maturidade, e ela pode ser atingida independentemente dos anos de experiência na profissão.

Sim, a tendência é um profissional que está no mercado há 30 anos ser melhor em comparação com quem começou a carreira 5 anos atrás. Mas e se o novato apresenta mais habilidade e afinidade com o negócio da empresa?

Romper com essa espécie de ciclo natural do poder familiar é desafiador, mas uma mudança fluida na administração pode superar esse obstáculo.

Consolidar a governança corporativa, por exemplo, assegura aos mais velhos a continuidade de sua conduta dentro do empreendimento.

Políticas, crenças e diretrizes estabelecidas de comum acordo entre os mais jovens e seus antecessores podem ser reproduzidas independentemente de qual deles ocupe cargo hierarquicamente superior.

Alterar a ordem sucessória familiar no ambiente organizacional não precisa ser drástico, mas sim uma mudança sutil a novos rumos bem definidos pelas partes em relação profissional.

coaching corporativo é outra prática voltada a esse mindset que norteia a conduta dos parentes e o alinhamento das lideranças ao planejamento estratégico da empresa.

Estimular os demais funcionários

Quando a família compõe a alta cúpula do empreendimento, a ascensão dos outros colaboradores a cargos de destaque fica restrita.

A motivação deles diminui porque notam que sua evolução dentro do organograma é limitada, refletindo em seu desempenho e, consequentemente, nos resultados obtidos.

Mas será que não incluir terceiros em postos de trabalho estratégicos é mesmo a melhor solução?

Por estarem fora do vínculo familiar, eles promovem o diálogo entre os parentes com o benefício de uma visão externa e não tão passional sobre temas polêmicos.

Se a resposta para a pergunta foi “sim”, sem problemas, pois ainda existem outras formas de estimular o time e primar por um ótimo clima organizacional.

Invista em treinamento corporativo: eles fazem os colaboradores se sentirem motivados e os aproxima da cultura da organização, criando um padrão de conduta e orientação na tomada de decisões.

Ademais, T&D facilita a comunicação entre a equipe, promovendo a integração entre setores e a qualidade do trabalho desenvolvido.

Os desafios da gestão em uma empresa familiar devem ser tratados com as peculiaridades dessas questões nesse tipo de estrutura. O distanciamento necessário promove o alinhamento de diferentes pontos de vista e os faz convergir para o objetivo em comum: o bom funcionamento do negócio.

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Publicado em 14 de novembro de 2017. | Atualizado em 22 de janeiro de 2019.

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2 comentários em “Os desafios na gestão de empresas familiares

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